26 de Dezembro de 2009
Passadas as festas, bebedeiras e ressacas, eis que surge a pergunta, o que farei agora? Bom, como já estou começando a ficar meio atordoado de tanto jogar Super Famicom para fazer a lista de RPGs que ainda vai me levar pro hospício, decidi tentar algo que há tempos não jogava, e com uma biblioteca de RPGs tão grande e boa quanto, o meu saudoso PlayStation.
Mas, não queria rejogar clássicos, e também queria fugir um pouco do tradicional, estava com apetite para algo novo, que novamente me fizesse perder horas na frente da TV, com um colírio do lado para não ter que piscar. Em minhas buscas pela internet, encontrei um jogo tímido, sem muito brilho, ofuscado pelo marketing devorador de outros jogos da época, seu nome é Torneko: The Last Hope!

Já ouviram falar de Mystery Dungeon? Ainda não? Resumidamente, Mystery Dungeon é uma série de roguelikes desenvolvidos pela Chunsoft, que começou como um “spin-off” da série Dragon Quest, com Torneko no Daibōken: Fushigi no Dungeon de Super Famicom, mas o sucesso foi tão grande no Japão que a Chunsoft decidiu lançar sua própria série, Mystery Dungeon: Shiren the Wanderer, e boom! Ela tornou-se a série de roguelikes mais popular do mundo, e então mais empresas aderiram a febre e uniram-se a Chunsoft para suas próprias séries Mystery Dungeon, como a ex-Square com roguelikes de Chocobo e a Nintendo com roguelikes de Pokémon, ainda houve uma sequência de The Tower of Druaga da Namco e um spin-off da série Gundam. Ufa! Ainda tenho que criar um post só para isso.

Vamos ao jogo, lançado em 2000 no Ocidente, Torneko: The Last Hope trata-se do segundo jogo da série Mystery Dungeon de Dragon Quest, e assim como seu antecessor de Super Famicom, você entra na pele de Torneko Taloon, o simpático e volumoso mercador que teve sua primeira aparição em Dragon Quest IV como um personagem jogável.
Sua história dá sequência aos acontecimentos do primeiro jogo, onde Torneko fica rico coletando tesouros de um calabouço profundo e cheio de segredos, o maior deles sendo a Joy Chest (Arca da Alegria), que retornou a paz aos moradores do reino em que vive. Porém, nem tudo são flores, um ancião muito suspeito surgiu questionando o fato da Joy Chest estar fora do calabouço, e ao mesmo tempo, diferentes partes do reino, como florestas, cavernas, cemitérios, entre outros, começaram a tranformar-se em calabouços mágicos, assim como monstros terríveis tornaram a reaparecer. E para quem vai sobrar tudo isso? Ganha um doce se adivinhar!

Torneko mora com sua esposa e seu filho, e aí já começam as diferenças, já viu algum RPG japonês que você não joga com um adolescente na puberdade, que vive sozinho no mundo e prefere sua espada do que uma mulher? Poisé, além de ser macho, Torneko não possui nenhum estereótipo de herói, é gordo, bigodudo e veste-se como um turco, e exatamente por sua aparência de vendedor de camelô que ele sofre muito preconceito dos cidadãos do reino, muitos duvidam de sua capacidade de ser um herói, fato que você vai desmitificar para esses bandos de desocupados que só ficam andando de um lado para o outro e falando asneiras, trabalhar que é bom nada.
O jogo alterna entre 2 etapas, a exploração do reino e dos calabouços. No reino, você poderá conversar com os desocupados cidadãos, pegar dicas e ouvir besteiras, é uma parte “pulável”, além disso você é amigão do rei, e junto com ele vai tentar desvendar o que está acontecendo no reino. Já nos calabouços a ação é pra valer, e como em todo roguelike, os eventos ocorrem aleatoriamente, então pode acontecer de você achar uma arma poderosa logo de início, ou de começar cercado por 30 monstros sedentos por sangue, tudo depende da sorte.

Tudo em um roguelike ocorre por turnos, ou seja, se você der um passo com Torneko, os inimigos do calabouço também terão dado um passo, então procure não dar passos em vão, você perde tempo e corre perigo. Qualquer detalhe é crucial ao entrar num calabouço, você terá um medidor de vida e de fome, sim, de fome, já viu o tamanho da sua pança? Portanto, nunca desperdice comida, ela pode ser mais importante do que seu arsenal de armas, afinal, você pode ser extremamente forte, mas ainda sim morrer de fome. O dinheiro também será muito importante, pois nem tudo você achará facilmente, algumas coisas você terá que comprar, mas não se preocupe, existe um banco para guardá-lo, e sem juros! Puxa, será que posso ser cliente?

Agora o que eu adoro nesse tipo de jogo, a evolução do personagem. Conforme você matar monstros e progredir nos calabouços, seu nível irá aumentando, além de encontrar um arsenal de armamentos à sua disposição, como clavas, espadas, machados, flechas e escudos, cada um deles terá uma aparência diferente dependendo do nome, por exemplo, uma espada de cobre terá uma aparência diferente de uma espada de ouro, assim como um escudo de bronze será diferente de um escudo de aço, além de suas características, no caso, uma espada de aço pode ser bem forte, porém, uma espada “Dragon-X” pode não ser tão forte quanto, mas pode derrotar um dragão facilmente, que é um dos monstros mais temidos, assim como no caso de um escudo de aço, que poderá corroer facilmente com um ataque de um zumbi, já um escudo de escamas não sofreria oxidação, deu para sacar a coisa? Agora, todos esses casos têm solução, como? Bom, é possível encantar seus equipamentos, e aí que entra a parte mais legal.

Além dos armamentos comuns, você poderá encontrar ervas (o uso fica a seu critério), bastões mágicos, scrolls, anéis e potes. No caso dos bastões mágicos, cada um terá a funcionalidade de uma magia e a quantidade de carga, acabando a carga, é necessário descartá-los, as magias são inúmeras e te auxiliarão muito, chegando a ser mais importantes do que os próprios armamentos, como um “Wizard Staff”, que pode teleportar um monstro para longe, ou de repente um “Thunder Staff”, que poderá desintegrá-lo. Um scroll poderá ser muito útil e trazer efeitos permamentes, como o “TwinHits”, que poderá aumentar o poder da sua arma, ou um “Plating”, que tornará seu escudo inoxidável. Ainda existem as ervas, anéis e potes, que também contarão com efeitos dos mais diversificados, dos quais se eu fosse contar caso a caso, escreveria um guia de uma vez, oras.

A variedade de monstros também é outro ponto fascinante, é possível encontrar praticamente todos os monstros clássicos da série Dragon Quest, desde os menos nocíveis Slimes, Giant Slugs e Drackys, passando pelos chatíssimos Trick Bags, Zombies e Wizards que só te sacaneiam o tempo todo, e chegando até seres temíveis das profundezas como Berserkers, Grand Titans e Dragons, se ver um e não estiver confiante, nem chegue perto, corra!
Quer saber de uma curiosidade? Enquanto Torneko: The Last Hope foi um sucesso de vendas no Japão, gerando críticas positivas de todos as revistas especializadas, saiba que no Ocidente ele vendeu uma mixaria, seguido de críticas cegamente negativas. Como foi a primeira tentativa de trazer um roguelike de Dragon Quest no Ocidente, e obviamente ela não foi bem-sucedida, consequentemente outros seguimentos da série ficaram restritos somente ao público japonês, com medo de fracassarem novamente no Ocidente, e Torneko: The Last Hope ficou conhecido como o primeiro e último Mystery Dungeon de Dragon Quest a ser lançado no Ocidente, realmente uma pena, não é?

Se você teve paciência de ler tudo isso e se interessou por essa série, mas não quer jogar a partir do segundo jogo, saiba que eu também não gosto de fazer isso, por esse motivo que muito antes de jogá-lo, já havia terminado Torneko no Daibouken: Fushigi no Dungeon de Super Famicom, o primeiro jogo da série, traduzido pelo excelente grupo Dynamic Designs, o IPS pode ser baixado aqui.
Para concluir, gostaria de deixar um recado de algo que sempre digo aos fãs de RPG. Sabe, Final Fantasy, Chrono Trigger, Phantasy Star ou sejá lá o que for são muito bons, clássicos e toda aquela coisa que cansamos de ouvir… mas chega rapaziada, vamos evoluir um pouco, é hora de desprender-se do mesmo e do que todo mundo fala, é hora de perder o medo e experimentar coisas novas, e garanto, se vocês tentarem, verão que essa dica que tentei passar é valiosa.
Agora com licença que vou comer um churrasquinho de dragão.
28 de Dezembro de 2009 @ 14:13
Essa evolução é necessária e já vou entrar na onda.
Eu sempre procuro dar chance a jogos diferentes não
aclamados pela mídia que pareçam interessantes.
Acho um caminho legal.
Ótimo Post.
28 de Dezembro de 2009 @ 14:37
Pode ter certeza Kao!! Experimentar aqueles RPGs de fora das grandes franquias é sempre uma experiência muito boa, e as vezes até nos surpreendemos!
Foi assim que conheci rpg’s foderosos como Landstalker, Soleil, Brave Fencer Musashi, entre muitos outros!
Esse ai parece ser meio que um rpg estratégico não é?
28 de Dezembro de 2009 @ 15:23
Disse tudo, cara.
Ainda mais agora, com as facilidades da internet, podemos aproveitar para conhecer aqueles jogos que não são tão badalados assim, e não ficar apenas nas franquias mais famosas (que, convenhamos, a maioria já deu o que tinha que dar há muito tempo).
28 de Dezembro de 2009 @ 21:49
mystery dungeon nao faz muito sucesso no ocidente mesmo.
Joguei o chocobo dungeon 2 e o estilo nao me agradou tanto,mais vo dar uma chance pra esse ae.
falando em rpgs sem “fama”,tem um que eu adorava qndo tinha o meu ps1
Guardian’s Crusade era o nome, conhece??
28 de Dezembro de 2009 @ 22:21
@ GLStoque
Obrigado. É esse mesmo o caminho, dar chance a jogos que não tiveram a mesma aceitação da crítica, isso não quer dizer que sejam ruins, pelo contrário, cabe a cada um julgar do seu modo, e esse é o barato da coisa.
@ Sabat
É sim Sabat, roguelikes são jogos para quem gosta de pensar a cada passo dado, Torneko tem gráficos simples, mas o que reina é sua jogabilidade, que descrevo como I.I.I.: Inteligente, intensa e imersiva… ai ai, estou velho mesmo, é cada uma que eu solto.
@ Giba
Dê uma chance sim, você pode descobrir um jogo fantástico por trás de uma capa sem brilho.
O Guardian’s Crusade lembro de ter lido bastante a respeito na época em que foi lançado, mas nunca tive a oportunidade de jogá-lo, agora que você citou, realmente me interessei, está adicionado na minha lista!
29 de Dezembro de 2009 @ 8:56
Olá pessoal. Já faz algum tempo que leio esse site maravilhoso, mas só agora decidi postar.
Esse torneko parece um jogo bem legal e acho que vou dar uma chance nele também, mas queria aproveitar pra falar de um outro que, embora mais conhecido no ocidente, não é de modo algum um jogo tradicional e merece muito mais atenção do que tem.
Seu nome é Tomba! ou Tombi! (na europa) e é um jogo de plataformas pro Playstation jogado à 2D (ainda que os gráficos e algumas passagens do jogo sejam em 3D) muitíssimo original e complexo, extremamente cativante e imersivo e que inclui vários elementos de RPG (montanhas de side-quests, equipamentos e muitas localidades às quais é possível regressar e explorar mais conforme o desenrolar do jogo).
Existe uma sequela com várias remodelações gráficas que nunca joguei e que também parece ser muito legal, mas recomendo vivamente começar pelo primeiro jogo, que é muito divertido e geralmente considerado o melhor.
Bom ano novo e muito diversão, espero que meu pequeno contributo possa ser útil
29 de Dezembro de 2009 @ 12:53
@Kupo
Opa velho, joguei Tomba com a minha noiva XD o jogo é DUCA! kkk
Demoramos mais de 1 mes pra terminarmos, pois é tanta, mas tanta missão pra se fazer que tinha vez que agente ficava encalhado dias pra descobrir o que significava os enigmas!! POis é, as sidequests são ENIGMAS que agente tem que descobrir o que significam!!
Quando descobría-mos um caminho novo era aquela alegria kkk
Terminamos mas não conseguimos completar 100% do quest book, dificil demais!!
Tomba é um JOGASSO!! vale apena pra qualquer um!!
29 de Dezembro de 2009 @ 19:20
Kao, eu RAXEEII de rir lendo esse post, tipo na parte ‘o simpático e volumoso mercador..’ HAEUHEAUEahuha vc é foda xDD
adorei o jogo, e vc poderia postar um pouco mais de jogos da era ps1 né *-*
e tdo mundo ja percebeu sua paixao pelos roguelikes heauhea
enfim, queria perguntar…aonde foi parar o ultimo post?! do sephirot?! sera q eu nao fui o unico q achei q ele errou o site ao postar aquilo?! eaueah, nao querendo criticar e ser chato pq ele escreve otimas reviews e tals, mas eu achei meio estranho falar de jogos novos e tals aqui, nao quero causar treta nem nada ^^ pois eu sou fã do site, desculpa qualquer coisa
;]
29 de Dezembro de 2009 @ 22:51
@ Adney Luís
Quero pedir-lhe desculpas Adney, de vez em quando o anti-spam pega algumas mensagens que não deveria, mas a culpa é dele, hein?
Isso mesmo, eu acho que temos que experimentar de tudo, sem preconceito, só assim formaremos um ponto crítico sólido para podermos falar bem ou mal de algum jogo.
@ Kupo
Muito grato, aprecio esse retorno. O Tomba! eu já joguei sim, realmente é um jogo fantástico que une um estilo de jogo semelhante ao do excelente Klonoa com sidequests muito criativas, diria que é um jogo de estilo único.
Bom ano novo para ti também, aguarde boas novidades para 2010.
@ patrick
Poisé, tentei ocultar ao máximo, mas não deu, vou ter que revelar…
Dizem os boatos que o Breder quis iniciar uma rebelião anti-retro, para derrubar a ditadura desses velhos caducos que andam dominando o mundo com blogs que cheiram mofo, se cuida Gagá!
PS: Breder, brincadeira meu rapaz, trate de continuar a lista de clichês e fazer mais reviews, todo mundo se amarra nos seus posts!
30 de Dezembro de 2009 @ 20:26
Fui com a cara dele, parece ser bem bacana, vou atrás
31 de Dezembro de 2009 @ 7:50
Depois de uma longa jornada sem visitar o blog, tive muita coisa nova para ler :O
Não tem nem oq falar desse jogo, desde o dia em q vi o Mystery Dungeon 2 em um episódio no GameCenter-CX fiquei me coçando para jogar.
Realmente, temos q ter nossas próprias análises e não seguir a mesma fila de sempre, q irá terminar nas estações square.
Conheci várias coisas bacanas de produtoras não tão conhecidas, como Harvest Moon, Baldur’s Gate.
Quem diria q até a Konami, q só pensa em futebol, faria uma pérola como Suikoden?
Parabéns pelo blog Kao, posts bacanas, blog bonito e uma ultra organização.
4 de Janeiro de 2010 @ 19:34
@ Felix
Valeu mesmo amigão, que bom que está curtindo o trabalho dessa velharada, que não tem mais nada pra fazer da vida além de contar as jornadas no mundo perdido dos jogos (quem dera, mas um dia chego lá), continue sempre antenado!
14 de Janeiro de 2010 @ 19:50
Esse é o Sir Kao!
Sempre detonando
4 de Fevereiro de 2010 @ 16:33
Este game do Torneko eu descobrí um dia desses em páginas de roms, quero jogar para ver.
De fato muitos jogadores ficam presos a determinadas franquias, e jogos bacanas passam desapercebidos e caem no esquecimento.
Alguns exemplos:
Lufia(Snes)-série charmosa e tão encantadora quanto o Lunar.Teve 2 eps(na verdade o segundo foi o episódio 1).
Vandal Hearts(Psx)-rpg tático da Konami.Apesar de perder feio pro FFT em gráficos, supera em jogabilidade, as condições para vitória vão desde eliminar em 3 turnos os cães de guarda ou evitar que uma ponte(onde o grupo está)seja demolida.
Terranigma(Snes)-terceira e última parte de uma “pseudo-trilogia” de espíritos que começou em Soul Blazer, depois veio o Ilusio of Gaia.Os jogos não se relacionam, mas tem mais ou menos a mesma dinâmica.Algo parecido com Ico e Shadow of Colossus.
Desculpem este post grande ,mas me empolguei e quis opinar.
4 de Fevereiro de 2010 @ 20:28
@ Fernando Bezerra
Não se preocupe com o post grande Bezerra, gosto muito desse retorno e adoro um bate-papo sabre RPGs, afinal, essa é a finalidade do blog.
Bom, Lufia sou suspeito para falar, tenho uma paixão secreta por essa série, principalmente pelo primeiro jogo, não sei explicar, a história, as músicas, os gráficos… tudo me faz cair em lágrimas de nostalgismo.
Quanto à famigerada trilogia da Quintet/Enix, tente procurar por um jogo chamado The Granstream Saga para PlayStation, ele é uma espécie de sucessor espiritual dessa trilogia.
O único que ainda não dei muita chance é o Vandal Hearts, mas já me cobraram antes e um dia ainda pretendo jogar e falar um pouco sobre ele, assim como fiz com Torneko.
4 de Fevereiro de 2010 @ 20:48
Pois posso falar-te que já terminei o Grandstream fazem muitas luas(2oo6),ganhei de um conhecido que não gostou dos gráficos.