Retro Fantasy

"Die monster, you don't belong in this world!"

Richard Belmont

Ys: The Vanished Omens

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“Um jogo transcedental, capaz de superar Final Fantasy em número de relançamentos e remakes. Jogo esse que tem sua base fortemente consolidada no Japão, mas que aos poucos, está abrindo horizontes mundo afora”

Ficha Técnica

Desenvolvedora: Falcom

Distribuidora: Sega

Gênero: RPG/Ação

Tamanho: 2 Mega

Lançamento: 1988 eua_flag

Hoje, o Reino de Ys é uma terra pacífica, mas há muito anos atrás, essa mesma terra foi ameaçada por forças malígnas. Felizmente, existiam as Deusas de Ys, que salvaram o reino de ser tomado pelas trevas. Existem 6 livros que contam toda a história desses acontecimentos, todos estão escondidos nos lugares mais obsoletos imagináveis, assim, estão protegidos, pelo menos até o dia que as Deusas precisarem ser invocadas novamente. Será que esse dia chegará?

A maré do dia anterior estava furiosa, mas naquele dia estava mais calma do que nunca. Um humilde pescador estava caminhando para a praia, local de seu trabalho. Foi então que ele avistou algo adiante, parecia um corpo, seria uma vítima da maré? Ao aproximar-se, viu que tratava-se do corpo de um jovem rapaz, estendido na areia, o pescador notou que seus cabelos eram de uma cor nunca antes vista em suas terras, eram vermelhos vívidos, pobre garoto… mas ao tocar seu peito, seu coração ainda batia! Sem pensar mais, levou-o correndo para sua casa, onde poderia tratá-lo.

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Após recuperado, o garoto lhe contou seu nome, chamava-se Adol, o pescador, pressentindo algo bom a respeito daquele garoto, deixou-o ficar em sua residência. Adol tinha um espírito aventureiro fora do comum, e em sua andanças, avistou uma pequena montanha, logo ficou sabendo que em seu topo ficava a temida Torre dos Condenados, onde diziam ter surgido os problemas de Ys.

O que havia na Torre dos Condenados? O que era Ys? Mesmo sem saber, Adol pressentia que seu destino estava nesses lugares. O bondoso pescador, mesmo alertando-o, não podia impedir um espírito tão aventureiro, e aconselhou que ele podia achar a resposta na cidade mais próxima, Minea, então deu-lhe equipamentos e algum dinheiro, desejando-lhe boa sorte em sua jornada.

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Entramos na pele de Adol Christin, e o jogo começa a partir do momento que ele chega em Minea. Agora vamos simular o que ocorre na realidade, partindo do fato que “com certeza” você está jogando no próprio Master System: “você coloca o cartucho e aperta power, eis que surge uma linda tela de abertura, com uma mulher nua segurando uma bola (sangue esguichando pelo nariz)… de cristal! Bom, você então inicia o jogo e começa a andar pela cidade de Minea”. Pulei algo? Não, e é assim que Ys começa, sem aberturas, apresentações, histórias, tudo aquilo que hoje é obrigatório, em Ys, você começará e sairá jogando. Parece estranho, mas visto que muitos RPG’s hoje considerados épicos começaram assim, nossa opinião terá uma segunda chance.

Um dos encantos do enredo de Ys é justamente não “cuspir” a história para o jogador, conforme sua aventura progredir, você montará pedaços fundamentais, portanto, seu objetivo não é totalmente claro em praticamente todo o desenrolar do enredo, e só será possível descobrí-lo encaixando todos os pedaços desse misterioso quebra-cabeça. Inicialmente, como em todo bom RPG, você conversará com as pessoas do vilarejo, tomará umas e outras, e claro, fará bicos para conseguir uma graninha, afinal, todo herói já foi um cara ordinário algum dia. Mas logo que você falar com a mística Sara, seu destino inicial será revelado, e assim sua jornada começará a ganhar sentido.

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O sistema de Ys não trará complicações aos aventureiros iniciantes, você terá disponível um menú com 6 opções básicas, mas que suprem todas as necessidades do jogo:

  • Exit: Se você não quiser apertar o botão 1 para sair do menú, pode sair pelo “Exit”, bom, pode até ser útil, vai que seu botão 1 não funciona mais.
  • Status: Aqui temos uma tela com os atributos base do herói, seu nível (Level), seus pontos de vida (HP), sua força (STR), sua defesa (DEF), sua experiência adquirida (EXP) e a quantidade de dinheiro (GOLD). Logo abaixo, temos o nome de todos os equipamentos utilizados no momento.
  • Equipment: Nessa tela podemos equipar e retirar os equipamentos que possuímos. São eles: Sword (Espada), Shield (Escudo), Armor (Armadura), Item e Ring (Anel).
  • Read Book: Esse submenú só terá utilidade quando for adquirido o primeiro dos seis livros da profecia. Após isso, você poderá lê-los e descobrir mais sobre a obscura história de Ys.
  • Load Data: É possível ler um jogo que foi salvo, pode parecer simples, mas muitos jogos pecam por não terem essa simples mas imensamente útil opção.
  • Save Data: Pode salvar um jogo, aparentemente também leviano, mas bom, pense que muitos RPG’s dessa época ainda utilizavam passwords, poisé, e de quebra, você ainda pode salvar no local que quiser, sem a necessidade dos terríveis pontos de save.

Geralmente uma das coisas mais esperadas para se julgar um bom jogo de RPG, claro, são as lutas! E quando esse momento chega em Ys… arrrrrrgggghhhhhh! Bom, resumidamente, você terá que literalmente bater de encontro com os inimigos, se você for mais forte, matarás, se for mais fraco, tomarás, nada muito complexo. Com o tempo você pegará algumas manhas, do tipo esquivar-se rapidamente e desferir um golpe sorrateiro pela diagonal num ângulo de 135°, parece simples, mas isso exige um pouco de prática amigos, a hora que você mestrar essa técnica ancestral, garanto, seus oponentes não terão uma segunda chance. Nem preciso dizer que, como todo “Oldschool RPG”, horas de combates serão perdidas para se conseguir níveis, e assim partir para o próximo castelo ou caverna.

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É fato que os labirintos de Ys são desafiadores, prepare-se para rabiscar alguns papéis, pois boa parte dos segredos do jogo estão escondidos nas entranhas mais obsoletas de templos e cavernas. Passagens secretas são uma constante, em algumas partes, acho que perdi os poucos fios de cabelo que tinha, claro, nada comparado com os labirintos estratosféricos de Phantasy Star, e muito menos a visão, que em Ys é isométrica, mas a experiência de explorar esses labirintos ainda é emocionante, e várias horas serão perdidas tentando-se desvendar portas ocultas e tesouros escondidos, e isso garanto, é o maior desafio dessa jornada.

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Ys é um jogo que ultrapassa gerações, e cada geração que atravessa, deixa mais fãs, tanto pela bela história quanto por sua músicas inesquecíveis. Apesar de ostentar gráficos antiquados e um sistema simplório para os padrões atuais, devemos nos conter à época em que foi lançado, até mesmo antes do clássico Final Fantasy. Em um âmbito mais pessoal, minha paixão pelo 1° Ys é muito maior do que pelo 1° Final Fantasy, mas isso senhores, não pode ser discutido, pois tem caráter fortemente nostálgico. No geral, Ys é um jogo excelente, e recomendo para pessoas que não possuem preconceito pelas técnicas ultrapassadas que estão evidentes, mas conseguem olhar além do óbvio, que é um mundo original, um enredo digno de um livro, com personagens bem elaborados, e além disso, consegue ser muito divertido e desafiador. Ys sempre será um dos medalhões do RPG, e tenho dito.

Curiosidades

  • A primeira vez que você viu Goban Tovah, o líder da guilda dos ladrões, não teve a ligeira impressão que já o viu em algum outro lugar? Veja a imagem e tire suas conclusões.
  • Ys para Master System foi o 2° relançamento para um console, porém no geral, foi o 7° relançamento do jogo desde sua primeira versão de PC-8801. Todos os relançamentos ocorreram entre o período de 1987 a 1988.
  • A versão de Master System é a primeira tradução em inglês do jogo, por isso, muitos nomes de personagens e itens foram traduzidos de forma diferente do que vemos nos jogos atuais. Por exemplo, nomes como Aron (Adol), Jeba Tova (Jevah Tovah), Luther Jema (Luther Gema), Dulk Dekt (Dark Fact), e lugares como Zepik Village (Zeptic Village), Palace (Shrine) e Tower of the Doomed (Darm Tower).
  • A versão japonesa chamava-se Ys, a versão norte-americana chamava-se Ys: The Vanished Omens e a versão trazida ao Brasil pela Tec Toy, chamava-se Y’s.

Notas

Gráficos: 7

Muitos comparam a versão de Ys para NES com a de Master System, teoricamente, no NES deram uma remodelada nos gráficos, adicionando texturas e objetos, mas na prática, a versão de Master System é muito mais fiel a original do computador PC-8801. Para o potencial gráfico do console, Ys não pode ser considerado um auge, mas possui cenários grandes e bem coloridos, o avatar dos personagens principais são muito detalhados, e outro ponto forte são os sprites de NPC’s e inimigos, que apesar de não haver grande variedade, são bem simpáticos.

Música: 9

Só tenho duas palavras para descrever essa experiência, Yuzo Koshiro, para quem não está familizarizado com o nome, trata-se simplesmente de um dos maiores gênios da música de videogames, que junto com Mieko Ishikawa e Abe Ryuujin, fizeram mais um clássico. Por tratar-se de um port, as músicas foram originalmente compostas para PC-88, e na versão de Master System foram arranjadas pela “Sound Team J.D.K”, equipe de som da Falcom. As músicas de Ys são épicas e continuam conquistando novos adeptos que não puderam apreciá-las na época. “Feena” e “Fountain of Love” são músicas tenras e que ficam na memória, já “First Step Toward Wars” e “Tower of the Shadow of Death” são músicas heróicas, temos também as músicas de chefes, que sempre foram o ponto forte de Koshiro, como as enérgicas “Holders of Power” e “Final Battle”, e tenho certeza que você não esquecerá quando Reah tocar sua harmônica, com a belíssima “Temple del Sol”. É difícil descrever um clássico musical em poucas palavras, e a série Ys sempre nos proporcionou isso.

Enredo: 8

Originalidade é a palavra. O enredo também é outro ponto forte, o fato de desvendarmos a história de Ys ao longo do enredo torna o jogo mais misterioso, consequentemente, mais interessante. Muitos fatos são deixados encobertos e exigirão imaginação, pois os segredos estão por toda parte, explorando a sede por aventura. Eu costumo comparar jogos com enredos bons a livros, onde a cada página temos uma nova surpresa, e com Ys é assim, cada novo passo da aventura terá boas surpresas, claro, confesso que clichês existem, mas devido a idade do jogo e a originalidade de boa parte dos acontecimentos, um possível preconceito será equivocado.

Jogabilidade: 4

Devo salientar que, para fazer um review, tento esquecer ao máximo os valores sentimentais, e me focar no jogo em si, mas claro, me contendo a sua época. A jogabilidade de Ys é mediana mesmo para a época em que foi lançado, e diria que muitas vezes ela se torna cansativa pela repetição da simplicidade. Se por outro lado temos músicas e enredo criativos, aqui caímos num buraco escuro, as batalhas realmente não são empolgantes, trombar com seus oponentes constantemente pode torna-se um martírio, ironicamente, falta “Ação” num título de “RPG/Ação”, porém, procurei não descontar mais, afinal, o foco de um RPG não precisa ser necessariamente a dinamicidade, e sim um enredo bem elaborado.

Replay: 5

Uma vez terminado o jogo, creio que não haverá muitas novidades, pois a maior parte dos segredos do jogo são essenciais para o progresso do mesmo, porém, por tratar-se de um jogo curto e divertido, acho que vale a pena mais um partida após algum tempo, para relembrar essa experiência que é jogar Ys, que posso afirmar sem receios, é um dos melhores títulos para Master System.

Nota Final:

7

Sir Kao