Retro Fantasy

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Dragon Warrior

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“O primeiro RPG que os japoneses e americanos conheceram para Famicom/NES. Dragon Warrior mostrou pela primeira vez um sistema que seria utilizado até hoje. A série Dragon Quest seria um sucesso absoluto, e por muito tempo, competiu com o não menos gigante Final Fantasy na terra do sol nascente”

Ficha Técnica

Desenvolvedora: Chunsoft

Distribuidora: Nintendo

Gênero: RPG

Tamanho: 512 Kilobit

Lançamento: ??/08/1989 eua_flag

Erdrick foi um grande guerreiro ancestral, há muitos anos atrás, a terra estava em caos, e bravamente, ele derrotou os demônios que perturbavam a paz e a ordem. Um tesouro lendário foi utilizado para trazer a paz finalmente, era a Esfera de Luz. Erdrick então devolveu a Esfera de Luz ao Rei e nunca mais foi visto.

Anos passaram-se com a paz reinando, porém, num lugar distante, além das montanhas ocidentais, vivia uma pessoa com sentimentos diferentes. Em uma de sua expedições nas profundezas de uma caverna, ele encontrou um dragão adormecido. O dragão despertou, mas apesar do susto, não lhe faz nada. O homem estranhou esse fato, mas precisava ir em frente, então jogou-lhe um graveto para poder distrá-lo, mas estranhamente, o dragão pegou o graveto com suas mandíbulas e trouxe de volta ao homem. Foi então que ele pode confirmar, poderia dominar o dragão da forma que quisesse, inclusive, dominar o mundo! A partir desse momento, ele seria conhecido como Lorde Dragão.

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De repente, um desastre assolou a terra, o temido Castelo Charlock surgiu das cinzas novamente, após isso, várias tropas de demônios atacaram o castelo de Tantegel, e as cidades que viviam pacificamente em seu continente. A Esfera de Luz foi roubada novamente, e junto com ela, a Princesa Gwaelin, os anos de paz haviam terminado, e nada podia ser feito.

Boatos dizem que existe um descendente de Erdrick vivo, mas como todo boato pode ser um mito, o rei de Tantegel não tinha mais esperanças. Porém, um belo dia, um jovem guerreiro apareceu em seu castelo, e pediu-lhe permissão para resgatar a Princesa Gwaelin e a Esfera de Luz, apesar de muitos já terem tentado fazer o mesmo e falhado, ele viu algo de diferente nesse jovem guerreiro, seria ele o descendente de Erdrick? Sem pensar mais, deu-lhe equipamentos e ouro, e mandou-lhe derrotar Lorde Dragão, o maldito. E assim começará sua jornada!

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Você incorpora a pele do descendente de Erdrick, e começará na sala do rei de Tantegel, após designada sua missão e adquirido os tesouros que lhe foram concedidos, sairá do castelo e sua jornada pelo mundo afora começará. E assim como todo RPG daquela época, não terás que esperar por histórias e aberturas que tendem ao infinito, explicando o por quê da criação do mundo e dos homens, para depois de 1 hora e 40 minutos, retirando os 20 minutos do tutorial, poder finalmente tocar no controle e jogar.

O enredo de Dragon Warrior não pode ser considerado muito original, afinal, matar um dragão, salvar uma princesa e recuperar o tesouro do rei é algo que já está mais do que batido em histórias medievais de desenhos e livros infantis. Mas considerando sua idade e o público para o qual foi destinado, isso não é ao todo um aspecto totalmente negativo, por ser tratar do primeiro RPG para Famicom e posteriormente de NES, até então um console que só abrigava jogos de plataforma e esportes, a investida em um enredo batido e simplório pode ter sido proposital, talvez necessário para conquistar novos adeptos de um gênero que ainda não possuia muita aceitação por jogadores de consoles, considerados jogadores casuais.

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Todas as ações são limitadas a menús, como abrir baús, portas, descer escadas, conversar com NPC’s e procurar itens, o que pode tornar-se um martírio em alguns momentos, algo que jogos de RPG contemporâneos já faziam com simples botões de ação, em Dragon Warrior temos um sistema íngreme e estreito. A sensiblidade dos controles é outra amostra do sistema jurássico, eles demoram a responder e precisam ser pressionados com uma força descomunal para realizarem alguma ação. O fato da necessidade de retornar ao rei toda vez que precisar salvar o progresso do jogo pode ser extremamente cansativo, uma vez que você terá que percorrer o mundo diversas vezes com suas próprias pernas e pés, já que não há outro meio de transporte. Todos esses fatores, demostram que o jogo não foi elaborado exatamente de forma a atender os padrões de um console, deixando muito a desejar em termos de jogabilidade.

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As batalhas de Dragon Warrior são o forte do jogo, e abriram portas para uma legião de RPG’s posteriores que utilizariam esse mesmo sistema base de forma aprimorada. Os encontros no mapa e cavernas são constantes, uma vez que você entrar numa batalha, uma pequena tela com visão em primeira pessoa se abrirá, nela, só podemos enfrentar um inimigo por vez, duas caixas de mensagens fornecem-nos informações vitais, a caixa da esquerda fornece dados como nível (LV), pontos de vida (HP), pontos de magia (MP), ouro (G) e experiência (E), enquanto na caixa inferior há uma descrição de cada ação executada na batalha e dados como danos recebidos e retirados. E sim, prepare-se para lutar por muitas horas, o jogo não é fácil e exige muitos níveis para se adentrar novas cavernas, os items do inventário são limitados e devem ser economizados ao máximo.

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No Ocidente já tínhamos RPG’s complexos como Ultima e Wizardry para computadores, e mais simples como Dragon Stomper e Adventure para Atari, todos eles comprovam que Dragon Warrior já utilizava uma junção de idéias anteriores que foram adaptadas de uma forma mais acessível e voltada para o mercado global. Mesmo assim, Dragon Warrior é um precursor do gênero oriental de RPG’s, e sua inovações foram seguidas por muitos jogos posteriores, inclusive seu maior rival na época, o próprio Final Fantasy. Recomendo essa versão somente para jogadores “hardcore”, para os que apenas gostariam de conhecer a série mas querem poupar-se de limitações jurássicas, há remakes para Super Famicom e Game Boy que foram lançados posteriormente. Boa jornada!

Curiosidades

  • Vários nomes foram modificados na versão americana, no exemplo: Roto = Erdrick, Laura = Gwaelin, King Dragon = Dragon Lord, Radatome Castle = Tantegel Castle, Radatome Town = Brecconary, Garai = Garinhaim, Maira = Kol, Cantlin = Mercado, Haukness = Domudora, Hoimi = Heal, Gira = Hurt, entre outros.
  • O nome Dragon Quest não pôde ser licensiado nos EUA por ser trademark de uma empresa de jogos de RPG de mesa chamada TSR, que já possuia um jogo com esse nome.
  • Os diálogos foram totalmente modificados em Dragon Warrior, utilizando termos do inglês antigo para conceder um aspecto medieval, também foi censurado com relação a temas religiosos e blasfêmias.
  • Na versão japonesa, na cidade de Maira/Kol, há uma garota que oferece um serviço de “puff-puff” por 50G, que é uma gíria japonesa, significando o ato de esfregar os seios no rosto de alguém. Na versão americana, essa mesma garota vende tomates.
  • Yūji Horii, Koichi Nakamura e Yukinobu Chida venceram um concurso de programação realizado pela Enix em 1982, como prêmio, viajaram para os EUA para visitar a “AppleFest ‘83″ na cidade de São Francisco, foi então que conheceram um jogo chamado Wizardry, e tiveram a idéia de juntar seu sistema a outro RPG popular da época, Ultima. Assim nasceu a idéia de Dragon Quest.
  • De acordo com o Guinness, o livro dos recordes, a série Dragon Quest possui vários recordes mundiais, como o “RPG Mais Vendido do Super Famicom”, o “Jogo Vendido Mais Rapidamente no Japão” e a “Primeira Série de Video Game a Inspirar um Balé”.
  • A revista Nintendo Power avaliou Dragon Warrior na posição 140 na lista dos 200 melhores jogos lançados para consoles da Nintendo. link

Notas

Gráficos: 5

Na versão americana melhoraram os gráficos, tornando-os mais agradáveis, personagens que só olhavam para uma direção foram remodelados e adicionados novos sprites de animação, novos tiles foram inseridos em cenários e suavizaram boa parte dos gráficos. O cenário de batalha apresenta fundos simpáticos e característicos do traço de Akira Toriyama, assim como todos os inimigos, aliás, esse é um detalhe que só o primeiro Dragon Warrior de NES possui, os outros apresentavam cenários inteiramente pretos. Mesmo assim, seus gráficos ainda são medianos e não utilizam nem metade da capacidade do console.

Música: 7

Tirando o fator técnico, que pela limitação de canais de som não permite músicas mais complexas, temos o trabalho do mestre Koichi Sugiyama, que soube aproveitar os poucos recursos do NES para criar uma bela trilha sonora, seus trabalhos posteriores são melhores, mas aqui temos o início de sua experimentação. Isso rendeu algumas trilhas sonoras como “Dragon Quest I: CD Theater”, “Dragon Quest I: Symphonic Suite” e diversas compilações.

Enredo: 2

Como eu sempre digo, não ligo um enredo antigo a valores nostálgicos, pois mesmo para a época, ele já estava defasado e apresentava pouca originalidade. Dragon Warrior deve ser lembrado como um dos precursores do gênero e de ter dado partida a um novo sistema, mas seu enredo é um caso à parte, nada retirará o fato do jogo ter uma história quase inexistente e um enredo mais do que previsível e linear. Só devemos descontar o fato da possibilidade de ter sido uma tentativa de trazer ao jogador de console algo mais acessível, ou seja, para os jogadores que não estavam acostumados com a complexidade de RPG’s de PC, mas fora isso, não merece nenhum crédito a mais.

Jogabilidade: 4

Digamos que é uma tarefa árdua acostumar-se com os padrões de jogabilidade de Dragon Warrior, mas se você der mais uma chance, garanto que será digerível. Tirando o fato dos controles pouco sensíveis e comandos de menú totalmente desnecessários e frustrantes, temos um divertido sistema de batalhas, que foi um dos poucos sistemas do primeiro jogo que continuou como marca registrada da série.

Replay: 2

Não há nada que nos dê forças para jogar Dragon Warrior novamente, claro, um pouco de nostalgismo sempre ajuda, mas o orgulho de ter vencido um dos RPG’s da era jurássica fica com certeza, e isso já considero uma grande vitória.

Nota Final:

4

Sir Kao